A Arte de Retratar Amigos: O Caso de Richard no Estúdio

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Não é nenhum segredo que eu gosto de retratar pessoas. E eu entendo o retrato com algo muito pessoal e íntimo. É necessário criar um elo de confiança entre fotógrafo e tema, por isso é tão especial fotografar amigos.

Esta semana veio aqui no estúdio um grande amigo meu, o Richard. Rich, para os chegados. Fazia algum tempo que eu não o via. Nos aproximamos por causa da escalada, mas ideias e filosofias que compartilhávamos nos aproximaram ainda mais. O tempo passou, responsabilidades surgiram e nossos caminhos se distanciaram. Rich mora hoje no Rio de Janeiro.

Fiquei feliz e até eufórico quando ele me procurou, pois estava precisando de um retrato. Assim que ele chegou no estúdio percebi que ele não era um cara que gostava de tirar fotos, ainda que muito bonito e também não queria fingir algo que não é. Quero dizer, mesmo o objetivo das fotos fossem para um perfil profissional, ele não queria usar camisa, porque simplesmente não era ele. Não era a essência dele. E isso é algo importante em um bom retrato.

Rich precisava se sentir confortável e assim como todo cliente, assim que chegou, passei um café e começamos a conversar. Apesar de ser algo que sempre faço, com clientes amigos, ou pessoas que estou conhecendo naquele momento, para mim foi diferente. Diferente porque eu precisava mais daquela conversa do que ele. Não, não porque eu estava nervoso para o shooting e precisava quebrar o gelo, mas porque eu não estava em um bom dia e conversar com um amigo me abriu. Tinha algumas dores em mim que não tinha verbalizado ainda. Rich é um cara muito coração, daquelas pessoas que quando perguntam: “como você está? ” – realmente querem saber isso, não é uma pergunta protocolar. Minha resposta sincera acho que fez com que o Rich se esquecesse do ensaio e conversa que normalmente serve para quebrar o gelo, entender e alinhar expectativas em relação ao ensaio prestes a acontecer, porém eu estava conversando com um amigo, não só sobre o que ele queria das fotos, mas o que ele queria pra vida, er como estavam nossas vidas e nossos outros amigos, como estavam e nossas famílias, dilemas amorosos etc. A conversa não parou o ensaio aconteceu em um bate-papo.

Fizemos retratos em uns 3 sets de Luz diferente, inclusive natural, com o janelão aqui do estúdio, por fim, tínhamos mais ideias nem necessidade de mais fotos, mas ainda havia muito o que conversar e fomos almoçar.

Nos despedimos e eu voltei para o estúdio. Comecei a ver as fotos e uma sensação muito boa tomou conta de mim analisando e escolhendo elas. Não só porque eu fiquei feliz pelo resultado, mas porque eu realmente via ali o Rich, ele não estava fingindo ser outra coisa, ele estava confortável era realmente ele.

Richard não foi o primeiro amigo que fotografei e sempre é especial para mim fotografar alguém quem eu gosto, admiro e tenho amor. Isso porque além de tornar a direção mais orgânica e o set mais leve eu estou criando e registrando uma memória. Eu imagino que daqui uns anos, vou olhar para uma foto dessa série, lembrar desse dia, lembrar de outros dias, sentir saudades e ligar pra pessoa e quem sabe, fazer esse processo todo de novo.

Você, que é meu amigo que sabe que eu me importo com você, vem aqui no estúdio. Deixa eu retratar você, como eu te vejo.

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