Não faz muito tempo fiz um trabalho para AXÁ orgânicos. Um job que consistia em fotografar frutas e legumes em fundo branco. A produção foi feita no próprio centro de distribuição deles como uma única luz, bem simples e aí que está a beleza. Assim que a primeira caixa de frutas, legumes e verduras chegaram um pimentão me saltou os olhos e o nome de Edward Weston e seu trabalho veio como uma pedrada na cabeça.

Weston é um fotógrafo americano icônico, do início do século XX, junto com Ansel Adams e Imogen Cunningham foi um dos fundadores do movimento f/64. Infelizmente sua carreira foi interrompida precocemente devido ao Parkinson.
Obcecado pela forma que a câmera revelava o mundo natural seja ele um corpo nu, uma duna ou algum vegetal. Para ele não era sobre um registro documental, não era sobre o que era aquilo, mas o que aquilo te fazia sentir. Que sensações as linhas, as formas, as texturas, a sombra e a luz te despertava. Mesmo em um objeto tão simples como um pimentão. Considero ele um dos melhores exemplos para sintetizar o grande poder da fotografia de transformar algo ordinário em extraordinário. Como um pimentão.
“Produzi talvez cinquenta negativos de pimentões: por causa da variedade infinita nas manifestações de forma, por causa de sua extraordinária textura de superfície, por causa do poder, a força sugerida em suas convulsões surpreendentes.” (Edward Weston)
Ele fotografou consistentemente Pimentões por anos, gerando uma séria incrível e uma fotografia Icônica. Um pimentão iluminado de forma perfeita. Ele colocou o vegetal em um grande funil de cobre, de modo que a luz refletisse em torno do vegetal, dando uma qualidade tridimensional formidável, eternizando a imagem. Só pra ter uma ideia, preço de venda por cópia em leilões em 2014, chegou a 350 mil dólares.













Pronto, estava inspirado para minha diária. Não na forma de reproduzir as imagens, uma vez que a iluminação é totalmente diferente, mas na forma de conduzir o trabalho. Tentando buscar o extraordinário no ordinário. Contemplando os temas, buscando sensações neles, explorando suas formas e texturas. Isso deu mais trabalho? Deu. Mas esse é o desafio que deveria interessar a todo fotógrafo, caso você não sinta nada ao fazer uma foto, você está apenas apertando um botão.
Esse shortdoc fala um pouco sobre Edward Weston e seu processo:

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