Focus Stacking: o segredo das minhas fotos de joias em macro

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Anel com turmalina Paraíba e diamantes sobre fundo preto com reflexo

O anel que nunca ficava inteiro em foco

Quem fotografa joia em macro conhece essa frustração. Você monta a luz, limpa a peça (três vezes, porque sempre aparece uma digital nova), enquadra bonito… e quando olha no monitor, só a frente da pedra está nítida. O aro já virou borrão, a garra do fundo sumiu.

Acho que passei um bom tempo brigando com isso. Fechava o diafragma até f/16, f/22, e aí vinha a difração e deixava tudo meio mole. Abria de novo, e voltava o problema da profundidade de campo. E agora?

Foi aí que o focus stacking entrou de vez no meu fluxo. Hoje, praticamente toda foto de joia em macro que sai do estúdio passa por ele.

Anel com turmalina Paraíba e diamantes sobre fundo preto com reflexo

O que é focus stacking (sem complicar)

A ideia é simples: em vez de tentar colocar a joia inteira em foco numa foto só, eu faço várias fotos da mesma cena, cada uma com o foco num ponto diferente. Uma na frente da pedra, outra um pouquinho mais para trás, outra no meio do aro, e assim por diante até o fundo da peça.

Depois, um software junta tudo ( eu uso o Helion Focus). Ele olha cada foto, pega só a parte que está nítida em cada uma e monta uma imagem final com a peça inteira em foco, de ponta a ponta. Dá pra fazer no photoshop? Dá. Mas é mais lento e você precisa antes também alinhar as camadas.

Resumindo: É como fatiar a joia em camadas finas de nitidez e depois empilhar essas camadas (daí o nome, stacking é empilhar).

Anéis solitários com flor seca sobre fundo preto

Por que joia e focus stacking combinam tanto

No macro, a profundidade de campo fica minúscula. Às vezes são poucos milímetros, ou menos. E joia é justamente o tipo de objeto que tem volume em tudo: pedra lapidada, garras, aro curvo, cravação, textura do metal.

Com o stacking eu consigo três coisas que, numa foto só, não consigo ao mesmo tempo:

  • Nitidez do começo ao fim da peça, sem sacrificar nenhum detalhe.
  • Diafragma no ponto ideal da lente, geralmente entre f/5.6 e f/8, onde ela rende mais e a difração ainda não estraga a imagem.
  • Fundo controlado, porque eu decido o quanto a peça fica em foco sem precisar levar o cenário junto.

E tem um detalhe que acho que pesa muito: o cliente que vende joia precisa que a pessoa do outro lado da tela confie no que está vendo. Uma garra desfocada parece defeito. Uma pedra nítida de ponta a ponta passa qualidade.

Meu processo, do clique ao arquivo final

Cada um tem seu jeito, mas é mais ou menos assim que eu faço no estúdio. Os trechos entre colchetes são os detalhes do meu equipamento.

  1. Tudo travado. Câmera no tripé (ou na coluna de reprodução), peça bem presa e nada encostando na mesa. No macro, qualquer milímetro que mexe estraga a sequência. Uso uma Sony A7R V com a Sony 90mm Macro.
  2. Luz fixa e constante. A luz não pode mudar entre uma foto e outra, senão o software se perde na hora de juntar. [descrever o setup de luz]
  3. Diafragma no ponto doce. Fico entre f/5.6 e f/8, ISO baixo, disparo remoto ou temporizador para não tremer.
  4. Foco do ponto mais próximo ao mais distante. Começo na parte da joia que está mais perto da lente e vou avançando até o fundo da peça, com uma sobreposição generosa entre uma foto e outra. Numa joia pequena isso costuma dar 30 fotos. E aqui a A7R V ajuda muito, porque já tem o bracketing de foco embutido: eu coloco o foco no ponto mais próximo, escolho quantas fotos quero e o tamanho do passo entre uma e outra, e ela faz a sequência sozinha (sem eu encostar no anel de foco, o que no macro já é meio caminho andado).
  5. Empilhamento no software. Importo a sequência no [software de stacking] e deixo ele fazer a fusão.
  6. Retoque e acabamento. Depois vem a parte artesanal: limpar poeira, corrigir pequenos artefatos da fusão e fazer o tratamento de cor e contraste no Lightroom.

Parece muito passo, mas depois que vira rotina… vai quase no automático.

Os erros que eu já cometi (para você não cometer)

  • Pular um pedaço da peça. Se faltar uma fatia de foco no meio da sequência, aparece uma faixa borrada na imagem final. Na dúvida, faço foto a mais.
  • Mexer em alguma coisa no meio do caminho. Encostar no tripé, a peça escorregar um milímetro, alguém abrir a porta e mudar a luz (sim, já aconteceu). O resultado vira um fantasma.
  • Pedra com reflexo que “anda”. Como cada foto tem foco num ponto diferente, o brilho da pedra pode mudar de tamanho entre elas e criar halos na fusão. Às vezes resolvo no retoque, às vezes é melhor ajustar a luz antes.
  • Confiar 100% no software. Ele erra, principalmente nas bordas da peça e onde metal encontra pedra. Sempre olho a imagem a 100% antes de entregar.
  • Poeira. No macro, um grão de poeira vira uma pedra. E no stacking ele aparece em várias fotos, cada uma de um jeito. Limpar a peça e a lente antes economiza muito tempo de retoque depois.

Enfim…

Focus stacking dá mais trabalho, isso é fato. Mais fotos, mais tempo de computador, mais atenção no retoque. Mas acho que é uma daquelas técnicas que, depois que você vê o resultado, não tem mais volta.

Se você tem uma marca de joias e quer ver suas peças com esse nível de detalhe, me chama. A gente conversa.

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