É carnaval. Minha época favorita do ano, não a toa, meu ultimo curta metragem tem o carnaval como pano de fundo. O carnaval me traz alegria e saudades. Ele muda tudo, são quatro dias em que se existe um sentido de permissão coletivo , onde qualquer um pode ser o que quiser, vestir o que quiser, viver uma fantasia. A cidade fica viva, colorida com confeti e serpentina e brilha com o glitter dos corpos que transitam e se enroscam entre blocos. Um prato cheio para quem quer fotografar, afinal, não importa para onde apontar a câmera, vai ter um tema interessante. Pessoas com mais maquiagem que tecido no corpo dançando enfrente ao teatro municipal, seu amigo fazendo as caras mais engraçadas sobre os efeitos de sabe-se lá o que, sua amiga que beijou o ex da mãe da amiga ou alguém dormindo no meio da muvuca na posição mais estranha. Afinal é Carnaval.
Mas, o Carnaval em São Paulo não é só alegria. Tem o assalto também. O que mais tem em bloco, além de gente linda querendo se divertir é ladrão de celular. Você é “alguém que” ou conhece “alguém que” já perdeu o celular em uma situação dessas. Por esse motivo, se popularizou nos últimos anos o uso do famoso “celular do ladrão”, nos blocos . Que nada mais é aquele celular que fica no fundo da gaveta, já sem atualização, com a tela parcialmente trincada, mas que cumpre sua função primordial. Afinal, é necessário um meio de comunicação para se encontrar com os seus na muvuca, mas ninguém quer por em risco o celular que ainda está na terceira parcela. Porem, provavelmente, esse celular não vai ter a melhor câmera, se ela estiver funcionando e poxa, não registrar o carnaval é um pecado. Como você vai lembrar no dia seguinte?
Por isso, dos mesmos criadores do celular do ladrão, com vocês, a câmera do meliante.
Sabe aquela cybershoot, que sua vó, tio ou pai guarda na gaveta junto com um monte de cabo que não serve para mais nada.

Então, ela é perfeita. Prática, pequena, totalmente desinteressante para os ladrões de plantão e ainda por cima entrega um resultado muito mais descolado do que qualquer celular pica dos galaxs de hoje em dia. Isso porque ela não tem correção artificial de imagem e suas fotos tem uma estética datada, dos anos 2000. Algo que lembra Terry Richardson. A lente wide e o flash frontal, congelam o tema no primeiro plano enquanto é possível ver movimento ao redor. A atmosfera da festa está dada!
Este Carnaval, foi um pouco diferente. Como pai, de dois, os blocos que fui, foram para crianças e mesmo assim já achei um perrengue exaustivo, mas eu levei minha Cyber e encontrei cenas divertidas, como essa a baixo da Olivia, que abraça a Liz, mas parece que ela está abraçando o Carnaval, um abraço de despedida. Até o ano que vem, feriado querido.



















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