Fotografia de Celular

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Já me perguntaram, mais de uma vez, sobre o que eu acho da fotografia de celular. E claro que essa pergunta foi feita já esperando uma respostas negativa e cheia de desdém da minha parte. Acho que por eu viver de fotografia e gastar quase tudo que eu ganho em equipamentos (rs), as pessoas tendem a achar que eu me sentiria ofendido, ou menos profissional em falar sobre fotografias feitas com o celular. Não sei, talvez julguem ser de qualidade pouco profissional, ou por qualquer um ter esse acesso se banaliza a fotografia, o processo fotográfico ou arte. Pura besteira.

Os celulares, com câmeras cada vez mais modernas, são uma baita mão na roda, seja você profissional ou não. Não posso falar por todos os fotógrafos do mundo, mas posso falar por mim e acho formidável ter acesso a uma câmera, de boa qualidade, a qualquer momento. Isso porque a gente nunca sabe quando vai se deparar com algo que vale o click. E não estou falando só de prato de comida ou fotos da família. Se alguma cena mágica estiver acontecendo enquanto eu estiver andando para academia ou levando minha filha no parquinho, se eu olhar pro lado ou pra cima e sentir algo, eu não vou perder a foto.

Outro fator interessante é democratização da arte. Uma câmera é cara, isso é um fato. Não que o celular não seja, mas o celular é presente no cotidiano. Hoje, quase todo mundo tem. E essa câmera, do celular, pode não ser a melhor, mas já te da a possibilidade de Revelar e expor um tema, as duas coisas que fazemos quando fotografamos. Dessa forma, registros podem ser feitos por qualquer um e isso é necessário. Que tal um exemplo concreto? Já ouviu falar no projeto: Rocinha Sob Lentes?(@rocinhasoblentes_Oficial). Em 2017, durante uma operação militar na comunidade, Allan de Almeida, cria de São Conrado, ficou incomodado com a violência retratadas nas notícias sobre a comunidade, algo que não era a percepção de quem morava ali. O olhar externo a favela é carregado de preconceitos com uma visão viciada que busca o sujo, o sofrimento e a pobreza. Mas a favela é isso? Não tem alegria na favela? Não tem beleza lá? O sol não se põe pra quem é do morro? Essas motivações fizeram Allan pegar o celular e começar a retratar o cotidiano pela perspectiva de quem está lá. O projeto cresceu, virou matéria de revista e até livro. Fica o convite para vocês conhecerem.

Então, dá na mesma usar câmera ou celular? Não. Claro que não. Existem algumas limitações técnicas na câmera do celular. Como o tamanho do sensor, que impacta por exemplo na profundidade de campo da imagem. “Ah, mas ele tem 1 trilhão de maga pixels”, não importa, ele é pequeno, e quanto menor o pixel, menos tolerância a desfoque ele tem . Por isso que o modo retrato de alguns celulares mais modernos faz desfoque artificial, que eu acho horrível. Mas esse mesmo fator é um dos pontos que caracteriza a estética da fotografia de celular, onde tudo está em foco, que se bem trabalhado pode gerar trabalhos incríveis.

Então dá para fazer fotos incríveis com celular? Sim. Você já deve ter escutado mais de uma pessoa falar que fotografia é escrever com a luz. Então dá para “escrever” uma mensagem incrível com uma câmera de celular. Se uma imagem faz você sentir algo, refletir ou se ela colou na parede da sua cabeça, que diferença faz se ela foi feita com uma Leica ou com um Android?

Eu mesmo tenho um projeto, um instagram, de fotos feitas apenas com o celular. Da uma conferida lá depois! @kiko_narua

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